Sempre fui fascinado pela história e pelas origens da minha família. Sou neto de dois sobreviventes do Holocausto por parte de pai. Crescer em uma comunidade judaica significou aprender muito sobre tudo o que o povo judeu enfrentou — e superou.
Eu era especialmente próximo da minha avó paterna, Gita Edelsburg, a quem chamava de Savta — “avó”, em hebraico. Ela cresceu em Vilkaviškis, na Lituânia, e sobreviveu ao Holocausto depois de ter sido presa no Gueto de Kovno. Durante uma marcha forçada em direção à Polônia, foi salva por uma família polonesa. Por incrível que pareça, ainda mantenho contato com essa família.
Minha avó acabou indo para os Estados Unidos, onde meu pai nasceu, e mais tarde se mudou para Israel. Mas a Lituânia continuou presente na nossa família, mesmo que em pequenos detalhes.
Desde os meus quatro anos, toda vez que eu a visitava, até seu falecimento, ela preparava pratos lituanos para nós. Ainda me lembro dos sabores, da aparência e da sensação que aquelas refeições traziam. Chegamos até a criar um livro de receitas da família com os pratos dela.
Por que a Lituânia?
A relação da minha avó com a Lituânia era complexa. Ela havia sido deportada simplesmente por ser judia e, depois da guerra, era muito difícil para ela se reconciliar com aquele país. Na verdade, muitas vezes dizia ser polonesa, embora tivesse nascido na Lituânia.
Reconheço que, se minha avó soubesse hoje que passei pelo processo de recuperação da cidadania lituana, provavelmente interpretaria isso de outra maneira — e talvez nem concordasse.
Mas eu, como integrante da terceira geração, vejo as coisas de uma perspectiva muito diferente.
Para mim, como judeu nos dias de hoje, reconectar-me com nossas raízes é extremamente importante. De certa forma, tornar-me cidadão lituano é minha maneira de dizer que os nazistas não conseguiram apagar nossa história. Minha família continua aqui. E agora, gerações depois, podemos voltar a fazer parte da comunidade lituana.
Eu já tinha cidadania polonesa por meio do meu avô. Portanto, não fiz isso simplesmente para ter acesso à União Europeia. Eu queria, de verdade, estabelecer esse vínculo com a Lituânia.
E queria isso também para meus filhos.
Eu também acompanhava o trabalho de Ralph Salinger, em Israel, cuja família, assim como a minha, era de Vilkaviškis. Em seu site dedicado à herança judaica da cidade, ele reuniu fotografias e histórias e registrou suas visitas ao local. Seu trabalho me inspirou a investigar mais a fundo minhas próprias raízes lituanas.
A maioria dos sobreviventes do Holocausto já não está entre nós. Tive o enorme privilégio de conhecer muito bem minha avó, mas meus filhos não terão essa mesma experiência. A cidadania lituana lhes dá uma ligação direta com o passado — e, espero, um motivo para conhecer a Lituânia, aprender sua história e entender de onde veio nossa família.
Minha filha, inclusive, recebeu Gita como nome hebraico, em homenagem à minha avó. Para mim, a história da família sempre foi algo muito concreto.
Foi aí que começou o verdadeiro trabalho de investigação
Quando comecei a pesquisar sobre a cidadania lituana, encontrei a IN IURE na internet. A reputação do escritório chamou minha atenção, assim como a disposição de assumir o caso com honorários condicionados ao êxito. O risco financeiro para mim era muito pequeno: se não tivéssemos sucesso, eu não pagaria os honorários de êxito acordados.
Isso fez diferença, porque meu caso estava longe de ser simples.
Todo o processo acabou levando mais de três anos. Olhando para trás, eu o descreveria como divertido, desafiador, empolgante, interessante — e algo que exigiu MUITA paciência.
Primeiro vieram os documentos oficiais e as apostilas, cuja obtenção pode demorar bastante. Tive a sorte de encontrar a E.Z.T.R Corp, uma organização que ajuda famílias judias e não judias do mundo todo com documentação e serviços desse tipo.
Depois veio a espera e, sinceramente, um trabalho de investigação impressionante.
A IN IURE encontrou registros eleitorais lituanos e outros documentos sobre minha família que nós mesmos nunca havíamos conseguido localizar.
Mas o maior desafio foi reconstituir o registro de nascimento lituano da minha avó.
Os documentos dela apresentavam divergências importantes, inclusive outra data de nascimento e referências à Polônia, em vez da Lituânia. Mas havia uma razão para isso. Depois da guerra, ela queria permanecer junto dos amigos com quem havia sobrevivido na Polônia. Naquela época, o maior campo de pessoas deslocadas ficava em Łódź. Por isso, declarou nos documentos que era polonesa: não queria ser deportada de volta para a Lituânia.
No fim, essa decisão também se tornou parte da história da nossa família. Ela permaneceu na Polônia, conheceu meu avô — e, como gosto de dizer, cá estou eu.
Precisávamos, portanto, provar quem ela realmente era, onde havia nascido e por que os documentos posteriores traziam informações diferentes.
Isso nos levou a mergulhar na história da família, inclusive em registros relacionados ao primeiro marido dela. Durante o Holocausto, minha avó perdeu o marido e um filho antes de, de alguma forma, encontrar forças para reconstruir sua vida e sua família.
A IN IURE me disse que nunca havia trabalhado em um caso com uma divergência tão grande na data de nascimento registrada de uma pessoa.
E, mesmo assim, no fim conseguimos comprovar tudo.
Foi um momento imenso para mim.
Eu sentia que estava em uma missão para resgatar a história da minha família.
Três anos — e muitas perguntas 🙂
Durante todo o processo, Dainius Ambrazaitis e a equipe da IN IURE demonstraram uma persistência incrível. Lianna Grigoryan foi meu principal contato e, de alguma forma, continuou paciente com todas as minhas perguntas — mesmo quando provavelmente eram um pouco irritantes ou repetitivas. 🙂
Houve chamadas pelo WhatsApp, facilidade para agendar conversas, perguntas constantes da minha parte e longos períodos em que simplesmente não havia nada a fazer além de esperar.
O que mais me impressionou foi a determinação.
Nunca foi um caso com 100% de certeza de sucesso. Em outro lugar, chegaram a me dizer que eu provavelmente não conseguiria, porque simplesmente não tínhamos documentação suficiente.
Mas a IN IURE não desistiu.
A equipe encontrou documentos da minha família que nunca tínhamos visto, esclareceu as inconsistências e manteve o compromisso de levar o caso adiante.
Depois de mais de três anos, conseguiu.
Até que chegou o e-mail
Fiquei eufórico quando finalmente recebi o e-mail de Dainius. Mal conseguia acreditar que o processo realmente havia chegado ao fim.
E não se tratava apenas da minha cidadania. Meus filhos agora também tinham esse vínculo.
Marcamos rapidamente um atendimento no Consulado da Lituânia em Nova York, e minha esposa nos surpreendeu levando bandeiras lituanas. As crianças adoraram — especialmente as cores.
A equipe do Consulado nos recebeu de maneira extremamente acolhedora. Deram às crianças livros sobre a Lituânia e tiveram uma paciência extraordinária com nossos gêmeos de seis anos e nosso filho de três anos correndo pelo escritório!
De repente, algo que havia começado com a história da minha avó em Vilkaviškis, atravessado o Holocausto e continentes e sobrevivido nas lembranças e receitas da família se tornou algo concreto para mais uma geração.
O que a cidadania lituana significa para mim hoje
Significa oportunidades e conexão com a família.
É claro que meus filhos agora têm as oportunidades proporcionadas pela cidadania da União Europeia e pela liberdade de circulação. Mas, para mim, o significado é muito mais profundo.
É o encerramento de um capítulo da história da nossa família e, ao mesmo tempo, o começo de outro.
É compreensível que famílias judias que vivem fora da Europa tenham relações complexas com os lugares de onde seus antepassados vieram, por causa do que aconteceu ali. Gostaria de contribuir para construir hoje um tipo diferente de relação — baseada em aprendizado, conexão e novos laços.
Estou animado para levar meus filhos à Lituânia nos próximos um ou dois anos, mostrar a eles de onde veio nossa família e manter esse vínculo vivo.
E já percebi que Nova York parece não ter um restaurante dedicado à culinária lituana.
Quem sabe um dia eu possa ajudar a mudar isso também. 🙂
Meu conselho para quem está começando
Tenha paciência. Mantenha tudo organizado. Preste muita atenção ao que a equipe da IN IURE pede — eles são extremamente cuidadosos com os detalhes — e responda sempre que precisarem de alguma informação sua.
E entenda que esse processo pode ser uma verdadeira jornada.
Pode haver atrasos, contratempos e reviravoltas inesperadas. O meu levou mais de três anos. Persista.
Mas eu também diria: não espere.
Quando seus representantes pedirem informações, responda. Ajude o processo a avançar. O mundo muda, a Europa muda e os procedimentos burocráticos também mudam. As exigências podem se tornar mais complexas, e o que é possível hoje pode levar mais tempo ou exigir mais no futuro.
Não há como saber como será o processo daqui a alguns anos.
Por isso, se reconectar-se com essa parte da história da sua família é importante para você, comece agora. Quanto antes, melhor.
Comece seu processo agora
Restaurar a cidadania lituana é um passo significativo – seja para reconectar-se às suas origens, acessar oportunidades na União Europeia ou garantir o futuro da sua família.
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